| HISTÓRICO
DA MISSÃO CAIUÁ
No início do século XX, mais precisamente,
na segunda metade da década de 20, chega em Dourados, naquela época
ainda uma vila, o Rev. Albert Maxwell. De origem norte americana, Rev.
Maxwell residia em seu país perto de uma tribo indígena
e tinha no coração o desejo de pregar o evangelho aos índios.
Com a morte dos pais, decidiu empregar a herança recebida realizando
o seu desejo. Vendeu o que possuía, veio ao Brasil e foi para a
região norte, na Amazônia, com o intuito de conhecer as tribos
indígenas dali. Depois de andar por quase um ano naquela região,
encontrou-se com a caravana do Marechal Rondon que o trouxe até
a região de Dourados. Ali chegando decide começar um trabalho
missionário junto aos índios deste local por achar que estes
estavam em piores condições do que os outros por onde havia
passado.
Os índios da região de Dourados saiam para trabalhar na
colheita do mate e o Rev. Maxwell encontrou a aldeia, praticamente, só
com mulheres e crianças
Rev. Maxwell sentiu que não poderia cuidar só do espírito
do índio sem cuidar do seu corpo e mente, foi procurar ajuda das
igrejas brasileiras para o seu projeto. Com o desejo de ajudar o índio
Kaiwá que ali vivia, o Rev. Maxwell vai até São Paulo
e através do apoio da Comissão Brasileira de Cooperação
das Igrejas Evangélicas, em 28 de agosto de 1928, organiza a Associação
Evangélica de Catechese dos Índios. Esta associação
teria sua sede em São Paulo, e seus missionários e obreiros
seriam constituídos em Missões locais de acordo com as áreas
geográficas ocupadas.
Organizam a primeira missão local e, para esta, são enviados
por suas igrejas os seguintes missionários: Rev. Albert S. Mawwell
e sua esposa Mabel Maxwell através da Presbyterian Church in the
United States, o médico Dr. Nelson de Araújo da Igreja Metodista,
o agrônomo Sr. João José da Silva, sua esposa D. Guilhermina
Alves da Silva e seu filho Erasmo, de seis meses de idade, pela Igreja
Presbiteriana do Brasil e o professor Esthon Marques da Igreja Presbiteriana
Independente. É criada assim a “Missão Evangélica
Caiuá” que desenvolve atividade altamente meritória
de assistência aos aborígenes, segundo Egon Chaves em seu
livro "Aculturação Indígena" (1969,p.129).
Em 1931 foi construída junto ao posto indígena, na aldeia,
uma classe em que o professor Eston Marques deveria dar suas aulas, mas
este deixa a Missão, e as aulas só tiveram início
em fevereiro de 1933, quando chega à Missão D. Yolanda para
atuar como professora. Esta é a primeira escola indígena
da região era chamada de “Escola Diária” e destinava-se
a alfabetização de adultos.
O Rev. Maxwell, enquanto furava um poço na Missão de Amambaí
contrai uma doença nos pulmões, deixa a Missão em
1942, voltando para os Estados Unidos, com sua esposa e filhos, para tratamento
de sua saúde; vindo a falecer em 1947.
Em janeiro de 1943, o Rev. Mário Syndenstricker apresenta o nome
do casal, Rev. Orlando Andrade e D. Lóide, como possíveis
substitutos do Rev. Maxwell, na diretoria da Missão e em vinte
e três de setembro do mesmo ano o casal é admitido na Missão
sendo sustentados pela Missão Americana.
A Missão contava com “uma Escola Primária, um ambulatório
médico, o orfanato “Nhanderoga”, a Igreja Indígena
com diversos pontos de pregação nas matas e também
um campo avançado em Amambaí” , criado pelo Rev. Maxwell
em 1941 e que ficou por muito tempo interrompido por falta de obreiro.
Em 1956, chega à Missão Dra. Loraine Bridgeman, missionária
da Missão Wicliff, enviada pelo então ministro Dr. Darci
Ribeiro, para o trabalho de tradução da Bíblia para
a língua Kaiwá. Um pouco mais tarde, chega também
o casal Taylor para ajudar neste trabalho de tradução e
em 1960 D. Audrey Taylor cria um jogo de oito cartilhas em Kaiwá
que vai ajudar na alfabetização dos índios. E, assim,
com a ajuda destes lingüistas a escola da Missão, torna-se
pioneira na alfabetização bilíngüe na região.
Em 1985 entregam para o índio Kaiwá o Novo Testamento em
sua própria língua. Hoje, Dra. Loraine ainda está
entre nós terminando a tradução do Velho Testamento.
No final da década de cinqüenta a Igreja de madeira, onde
era realizados os cultos torna-se pequena e é necessário
construir um espaço maior e para esta finalidade o Rev. Orlando
contrata o Sr. Moisés Rodrigues, que constrói um novo templo
e este é inaugurado na década de sessenta
Expandindo o trabalho da Missão é criado, em 15 de maio
de1958 o campo de Teyi-Kuê ( Caarapó), indo para lá
o missionário Eládio Valentim, em 26 de julho de 1961 começa-se
o trabalho em Lucero e ainda resolve-se “que se estendam os trabalhos
da Missão nos seguintes aldeamentos: Taquapiry, Pirajuí,
Jacareí e Sassoró, aproveitando-se os obreiros que virão
através da junta de missão da Igreja Presbiteriana Independente
do Brasil que lhes proverá o sustento”.
Chega à Missão, no ano de 1961, Rev. Saulo, Rev. Rubens,
Rev. Daniel Astério e Rev. Benedito Troquez, junto com as esposas
e em abril de 1962, iniciam trabalho de evangelização nas
aldeias que ainda não haviam sido alcançadas. Rev. Saulo
em Taquapiry, Rev. Daniel em Caarapó, Rev. Rubens e Rev. Troquez
em Porto Lindo.
Fruto de orações e de doações de muitos crentes
em todo país, em substituição ao rancho de sapé
onde os doentes eram atendidos, foi inaugurado na sede da Missão
em Dourados, no dia primeiro de março de 1963, o “Hospital
e Maternidade Indígena Porta da Esperança”, com 38
leitos, hoje ampliado para 50 leitos e finalidade específica de
“atender exclusivamente a população indígena,
os obreiros e funcionários da AECI, sendo que toda a tarefa de
assistência médica é inteiramente gratuita”.
Para o sustento do hospital e como também da Missão foi
criada, por Sr. Reinaldo e D. Zéria, uma granja que fornecia carne
de galinha para as crianças e em época de crise o Rev. Orlando
vendia os ovos na cidade.
Depois de cinco anos que o Rev. Troquez havia chegado à Missão
e estar trabalhando em Porto Lindo, em 13 de setembro de 1967, ele propõe
à Assembléia a abertura do campo de Ramada e assim é
criado mais um campo avançado, alcançando o número
de cinco.
Em 1978, foi inaugurado a “TB” (Unidade de Tratamento de Tuberculose)
com 50 leitos, é um hospital afastado das demais construções
da Missão. Fica ao lado da mata, em construção de
alvenaria, com estilo rústico, em forma de maloca, para melhor
se ambientarem os doentes que por ali passam.
Antes de aposentarem e passarem a direção da Missão
a uma nova equipe, Rev. Orlando e D. Lóide tinham um sonho que
se tornou realidade: queriam criar um Instituto Bíblico que pudesse
preparar o índio para a pregação do evangelho, em
1978, durante a comemoração dos 50 anos de fundação
da Missão é lançada a pedra fundamental do edifício
aonde iria mais tarde funcionar o Instituto Bíblico “Felipe
Landes”. Estiveram presentes a esta cerimônia e ajudaram na
construção do edifício uma comitiva do Sínodo
da Guanabara e D. Jeanne Francinne Villon, que passa a liderar um trabalho
no Estado do Rio de Janeiro em prol da construção do mesmo
e continua até hoje, com a participação de mais de
100 igrejas ajudando no sustento da Missão Caiuá. O Instituto
Bíblico Felipe Landes é inaugurado em 05 de abril de 1980.
Devido a Missão Evangélica Caiuá prestar assistência
ao índio através da saúde, educação
e no seu trabalho espiritual, foi reconhecida como uma entidade de utilidade
pública municipal, estadual e federal, recebendo assim no dia 25
de fevereiro de 1984 o atestado de filantropia.
Em 1985 o casal Rev. Orlando e D. Lóide ao se aposentarem deixam
a Missão e ficam em seu lugar como diretor de campo da Missão
o Rev. Beijamim Benedito Bernardes e esposa Margarida e como vice-diretor
o Rev. Benedito Troquez e sua esposa D. Edith Troquez.
Nesta mesma época no Instituto Bíblico Felipe Landes é
introduzido um currículo específico, passando assim a ter
como aluno somente o índio. Desde 1985 os alunos formados pelo
Instituto têm voltado para sua tribo para pregar o evangelho aos
seus patrícios.
Atualmente a Missão Caiuá atua com sua sede em Dourados,
seis campos avançados ao lado das aldeias de Caarapó, Amambai,
Taqwapiry, Sassoró, Porto Lindo e Gwassuty e nas aldeias de Jacaré,
Limão Verde, Campestre, Kokwey, Panambi através do missionário
índio que ali mora e também possui um missionário
atuando junto aos índios Xavantes no município de Nova Xavantina,
MT.
Na área de educação conta com seis escolas de Educação
Infantil e Ensino Fundamental, com um Projeto Pedagógico que atende
as necessidades do aluno indígena, em convênio com Prefeituras
locais.
Desde o ano de 2001, a Missão mantém convênio com
a FUNASA (Fundação Nacional de Saúde) para dar atendimento
a população indígena de todo o Mato Grosso do Sul
na área de saúde e em 2002, com a tuberculose controlada
entre os Kaiwá a ala do Hospital específica para estes doentes,
passou atender a crianças desnutridas de várias aldeias
ao redor.
Através do que tem realizado, o alvo da Missão é
ir em busca de novos campos missionários, procurando, assim, alcançar
as mais de 90 tribos indígenas brasileiras que nunca ouviram falar
do evangelho.
Para atingir este alvo a Missão conta com o missionário
indígena formado no Instituto Bíblico na própria
Missão e com a Igreja brasileira orando e contribuindo para o envio
deste missionário.
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