Somos cristãos reformados. E para que vocês possam conhecer
a Igreja Presbiteriana do Brasil, e no que ela crê como Igreja Reformada,
abaixo você encontra a doutrina da IPB, a
sua confissão de Fé, e alguns dos princípios,
e base bíblica da Igreja Reformada, que justifique nosso credo e
doutrina.
DE DEUS E DA SANTÍSSIMA TRINDADE
I. Há um só Deus vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeições. Ele é um espírito puríssimo, invisível, sem corpo, membros ou paixões; é imutável, imenso, eterno, incompreensível, - onipotente, onisciente, santíssimo, completamente livre e absoluto, fazendo tudo para a sua própria glória e segundo o conselho da sua própria vontade, que é reta e imutável. É cheio de amor, é gracioso, misericordioso, longânimo, muito bondoso e verdadeiro remunerador dos que o buscam e, contudo, justíssimo e terrível em seus juizos, pois odeia todo o pecado; de modo algum terá por inocente o culpado.
Ref. Deut. 6:4; I Cor. 8:4, 6; I Tess. 1:9; Jer. 10:10; Jó 11:79; Jó 26:14; João 6:24; I Tim. 1:17; Deut. 4:15-16; Luc. 24:39; At. 14:11, 15; Tiago 1:17; I Reis 8:27; Sal. 92:2; Sal. 145:3; Gen. 17:1; Rom. 16:27; Isa. 6:3; Sal. 115:3; Exo3:14; Ef. 1:11; Prov. 16:4; Rom. 11:36; Apoc. 4:11; I João 4:8; Exo. 36:6-7; Heb. 11:6; Nee. 9:32-33; Sal. 5:5-6; Naum 1:2-3.
II. Deus tem em si mesmo, e de si mesmo, toda a vida, glória, bondade e bem-aventurança. Ele é todo suficiente em si e para si, pois não precisa das criaturas que trouxe à existência, não deriva delas glória alguma, mas somente manifesta a sua glória nelas, por elas, para elas e sobre elas. Ele é a única origem de todo o ser; dele, por ele e para ele são todas as coisas e sobre elas tem ele soberano domínio para fazer com elas, para elas e sobre elas tudo quanto quiser. Todas as coisas estão patentes e manifestas diante dele; o seu saber é infinito, infalível e independente da criatura, de sorte que para ele nada é contingente ou incerto. Ele é santíssimo em todos os seus conselhos, em todas as suas obras e em todos os seus preceitos. Da parte dos anjos e dos homens e de qualquer outra criatura lhe são devidos todo o culto, todo o serviço e obediência, que ele há por bem requerer deles.
Ref. João 5:26; At. 7:2; Sal. 119:68; I Tim. 6: 15; At - . 17:24-25; Rom. 11:36; Apoc. 4:11; Heb. 4:13; Rom. 11:33-34; At. 15:18; Prov. 15:3; Sal. 145-17; Apoc. 5: 12-14.
III. Na unidade da Divindade há três pessoas de uma mesma substância, poder e eternidade - Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo, O Pai não é de ninguém - não é nem gerado, nem procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho.
Ref. Mat. 3:16-17; 28-19; II Cor. 13:14; João 1:14, 18 e 15:26; Gal. 4:6.
CONFISSÃO DE FÉ
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nossa confissão de fé
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IGREJA REFORMADA
1. Introdução
2. A Fé Reformada
3. Os princípios reformados
4. Teocentricidade
5. Depravação Total
6. Eleição Incondicional
7. O Sacrifício Limitado
8. Graça Irresistível
9. Perseverança dos Santos
10. Pactualmente Ordenado
11. Batismo Infantil
12. Conclusão
Introdução
Basicamente, quando falamos de Fé Reformada, referimo-nos à verdadeira
religião cristã, como foi recuperada durante a Reforma Protestante dos séculos
16 e 17. Esse texto tratará de alguns assuntos referentes à fé Reformada,
que a Igreja Presbiteriana do Brasil crê, mas você não encontrará a abordagem
daqueles pontos cardeais da religião cristã que as Igrejas Reformadas compartilham
com as demais, a saber, a Trindade, a expiação, a justificação pela fé,
o nascimento virginal e a ressurreição corpórea de Jesus, seus milagres
e a inspiração das Escrituras Sagradas.
A Fé Reformada adota todas as doutrinas apostólicas estabelecidas na Bíblia e formuladas em credos pelos grandes concílios ecumênicos da Igreja Primitiva. Ela é um relacionamento com Deus, através da mediação de Jesus Cristo, baseado no Evangelho revelado por Ele e pelas Escrituras Sagradas.
O conteúdo desse trabalho é seletivo e não abrange toda a fé cristã; não se pretende nem objetiva oferecer um resumo exaustivo da fé Reformada, antes aborda os princípios reformados, a Teocentricidade, a eleição, o sacrifício de Cristo e a Graça Irresistível de Jesus por nós, pecadores.
Fé Reformada como a forma mais consistente de Cristianismo
A Fé Reformada é a religião Cristã em sua expressão mais consistente. Esta
não é uma reivindicação de que outras, que não seguem as confissões Reformadas,
não sejam Cristãs. É simplesmente a insistência de que há apenas uma religião
verdadeira e de que sua expressão mais consistente é a Fé Reformada. O próprio
Jesus disse: “13. Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e
espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por
ela; 14. e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à
vida, e poucos são os que a encontram.” (Mt. 7.13-14) Não há duvida de que
alguns vêem este caminho mais claramente do que outros. E Jesus não disse
que apenas os consistentes seriam capazes de entrar. Mas como é claro que
há apenas um caminho! Além disso, Jesus claramente insistiu para que este
único caminho de salvação fosse ensinado consistentemente. “18 E, aproximando-se
Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra.
19 Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome
do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 ensinando-os a observar todas
as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os
dias, até a consumação dos séculos.”(Mt. 28.18-20). A manutenção do conteúdo
consistente e integral da religião verdadeira é assunto de maior importância.
Não nos cabe julgar o quanto um pecador em particular deve saber para que
seja salvo. Mas não há dúvida quanto à tarefa da Igreja neste mundo: preservar
integralmente a palavra de Cristo com ensino consistente e fiel.
Os Princípios Reformados
1. Base Bíblica
A Fé Reformada considera a Bíblia com a maior seriedade. Esta não é
senão outra maneira de dizer: “Porque dele, e por ele, e para ele, são todas
as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Rm. 11.36). A Fé Reformada
busca manter corretamente entendido o ensino integral da Bíblia. Não temos
espaço aqui para desenvolver as ênfases específicas da Fé Reformada. Mas
esperamos que apenas através deste breve estudo o leitor poderá: (1) ver
que há uma profunda diferença entre a Fé Reformada e todas as demais formulações
menos consistentes da Fé Cristã e (2) ser desafiado a investigar com mente
aberta nossa reivindicação de que esta Fé Reformada é nada mais nada menos,
que o ensino que a Bíblia consistentemente expressou.
a. Suficiência
A Fé Reformada encontra toda a sua autoridade no ensino da Palavra de
Deus. A Bíblia é a única regra infalível sobre o que devemos crer e como
devemos viver. Revelações carismáticas contínuas, profecias ou línguas estranhas
não mais são necessárias porque Deus falou Sua Palavra final e toda suficiente
ao completar-se o cânon das Escrituras Sagradas. A Bíblia e apenas a Bíblia
- esta é a nossa confissão!
b. Necessidade
A Bíblia é a revelação da vontade e da pessoa de Deus. “o homem não
vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor” (Dt 8.3). Mas as
pessoas tentam por natureza viver de pão apenas sem aquela Palavra; eles
tentam viver pela sua própria sabedoria (cf. Sl. 36.1-4). A verdade, entretanto,
é que homem nenhum pode viver sem a luz da revelação especial de Deus. Isto
era verdade para o primeiro homem criado, Adão, mesmo antes de ele cair
em pecado ao negar a luz de Deus e desobedecê-LO. Adão, embora criado perfeito
e com a lei de Deus inscrita em seu coração, mesmo assim necessitava de
que uma luz exterior brilhasse sobre ele para habilitá-lo a andar de acordo
com as ordens de Deus. Adão ainda necessitava de que Deus falasse com ele.
Ele sabia muito, em virtude de ter sido feito à imagem de Deus, mas ainda
necessitava da voz divina. E é também assim com todos os descendentes de
Adão, gostem eles ou não de ouvir isto. Em Romanos 1.21, o apóstolo Paulo
faz a surpreendente afirmação de que por natureza todos sabem a respeito
da existência e poder de Deus devido ao Seu trabalho na criação do universo,
e ainda assim rejeita e despreza essa luz que eles têm. Desde a queda da
humanidade, a vontade humana foi grosseiramente pervertida. Cada um de nós,
afastados da ação salvadora de Deus, quer seguir seu próprio caminho, ao
invés do caminho de Deus. Este caminho, expresso na lei de Deus, é parte
do íntimo do nosso ser. Ninguém pode escapar da consciência, a qual gera
uma constante atividade de acusar ou desculpar. Mas a linha básica é que,
afastados do trabalho regenerador de Deus, todos nós odiamos a lei de Deus
porque somos descendentes do Adão caído (cf. Jo 3.19-20). Conseqüentemente,
nossa única esperança é o Evangelho. Após declarar que o homem ama a escuridão,
Jesus disse “21 Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que
seja manifesto que as suas obras são feitas em Deus.” (Jo 3.21). As Escrituras
Sagradas são “indispensáveis” porque somente através dela vem “aquele conhecimento
de Deus e da sua vontade necessário para a salvação” (Confissão de Fé de
Westminster I.1). Os cristãos precisam da Bíblia também. Disse Jesus “Se
vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos;”
(Jo 8.31). Como conheceremos esse ensino a menos que nosso caminho seja
iluminado? Os crentes mostram-se serem felizes portadores da graça de Deus
ao obedecer a Sua Palavra e andar na Sua luz.
Inerrância
A Bíblia está livre de erros, uma vez que foi entregue pelas mãos de
Deus. O salmista diz o seguinte: “A lei do Senhor é perfeita... Os estatutos
do Senhor são dignos de confiança... Os preceitos do Senhor são justos...
O temor [objeto de referência, chamado, a Palavra de Deus] do Senhor é puro”
(19:7-9). A ultima característica significa “sem defeito”. Será que nós
imaginávamos de outra forma, sabendo que a Bíblia é o sopro de Deus? (Ref.
2 Tim. 3:16, “Toda escritura é inspirada por Deus” e 2 Pe. 1:21, “Pois a
profecia nunca teve sua origem na vontade humana, mas os homens falaram
de Deus sendo levados pelo Espírito Santo.”- O verbo grego para “sendo levados”
algumas vezes descreve o efeito que o vento faz em um barco a velas.). A
Bíblia não caiu do céu. Homens escreveram, mas com sua forma de escrita,
com toda variedade de vocabulário e estilo próprio, o Espírito Santo, pela
sua palavra e exposição, foi determinante para o resultado da Palavra. Os
autores humanos foram levados pelo seu poder, assegurando que o produto
seria sem defeito. Conseqüentemente, como a Fé Reformada insiste, a Bíblia
é infalível e absolutamente digna de confiança.
Clareza
A Bíblia é clara e isso é fruto de sua inerrância. Salmo 19:8 diz, “Os
mandamentos do Senhor são radiantes, trazendo luz aos olhos.” A analogia
(trazer luz) é: sem mácula, pura, que não se mistura com outro material
conflitante ou controverso. A Bíblia não seria clara se houvesse uma mistura
de verdades e erros. Isso não quer dizer que tudo o que contém na Bíblia
está igualmente formado. Existem doutrinas nas Sagradas Escrituras que confundem
a mente. Nos sabemos o que a doutrina da Trindade não significa (a igreja
primitiva gastou centenas de anos para definir as “explicações”!). Nós sabemos
como a Bíblia nos apresenta esse assunto: existe um só Deus; esse Deus único
existe em três pessoas; cada pessoa é distinta. As crenças reformadas não
declaram poder esclarecer isto. Mas eles firmemente crêem nisto. Não há
uma necessidade para que “experts” no assunto, nos guiem através “caminhos
obscuros”. Pois como diz nossa confissão de fé: “Na Escritura não são todas
as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos;
contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para
a salvação, em um ou outro passo da Escritura são tão claramente expostas
e explicadas, que não só os doutos, mas ainda os indoutos, no devido uso
dos meios ordinários, podem alcançar uma suficiente compreensão delas.”
(CFW, I-7).
Teocentricidade
a. Sua Glória
O Breve Catecismo de Westminster toma seu primeiro passo sobre as verdades
cristãs, afirmando que “O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo
para sempre” (Primeira Pergunta). È apresentado no texto abaixo aquilo que
certamente reflete as Sagradas Escrituras: “Portanto, quer comais, quer
bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.”
(1 Cor. 10:31); “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza
na terra.” (Sl. 73:25). Glorificar a Deus, ou buscar a glória de Deus é
certamente um conceito bem central na fé Cristã. Mesmo assim, como muitas
palavras e frases familiares, esse ponto não admite uma fácil explicação.
Entretanto, isso é importante para nós termos uma boa noção bíblica do que
realmente significa, porque isso nos leva ao âmago de nossa Fé, e sem dúvida,
daquilo que Deus quer que conheçamos e façamos. Perceba que o Catecismo
não faz uma pausa para provar a verdade que o mesmo explica; ele começa
de uma só vez afirmando em extensos termos o que Deus é, e o que nós devemos
a Ele é um coração contrito e entregue para sua glória e louvor. O que nós
cremos e dizemos sobre o próprio Deus é o começo e o fim de toda palavra
e moral. Asafe, no Salmo 73, confessa que a sua aflição só aumentarem quando
ele se afastou de um humilde reconhecimento da verdade de todas as verdades:
Deus é Jahvé, o nome pelo qual Ele se revela a Moisés na sarça ardente,
significa “Eu sou”. Os teólogos têm uma palavra especial para esse tão “confuso”
atributo de Deus que é apresentado aqui; eles tratam esse ponto como parte
de sua característica. Ele somente é, por Ele mesmo, independente de qualquer
outra coisa. Perceba a progressão na experiência de Asafe. Sua tentação
era ver o mundo separado de Deus, com os fracos (vers. 3-11). Seu pensamento
conduz ao ateísmo prático (vers. 12-14). Sua vida inteira, corpo e espírito,
eram compreensivelmente devastados (vers. 4, 16, 21, 22). Mesmo, sua cura
(restauração) necessariamente envolveria um novo e humilde comprometimento
com a pessoa de Deus, como a experiência vivida por Jó (vers. 17-20). Deus
é glorioso em si mesmo, separado de toda sua criação. Ele tem glória N’Ele
mesmo. É sua própria glória, e ela é total, completa e perfeita. De fato,
Deus foi revelado a Israel como “o Deus de Glória” (Sl. 29:3). Glória é
o que faz D’Ele Deus , não há divindade sem glória. A palavra hebraica é
shekinah, que se refere ao radiante esplendor de sua pessoa, a luz do ser
de Deus. Você se lembra do pilar formado por uma nuvem branca durante o
dia e um pilar de fogo durante a noite? Isto foi a manifestação de sua beleza,
de seu ser maravilhoso. Todas as palavras serão insuficientes, tudo o que
podemos declarar é que Deus é glorioso.
b. A Sua Salvação Triúna
Mas como nós, que estamos mortos em nossos erros e pecados, alcançamos
este alto e digno objetivo? A resposta se encontra no fato de que o verdadeiro
Deus, o Deus da Bíblia, que é triúno, se tornou nosso salvador. Quando enfatizamos
que é o Deus triúno - Pai, Filho e Espírito Santo - que nos salva, a fé
reformada diz claramente na essência da histórica Fé Cristã. Consulte, por
exemplo, o antigo Credo Apostólico - a mais antiga confissão cristã, na
qual você encontrará três seções, cada uma começando com uma expressão de
fé em uma das três pessoas da trindade: “Deus o Pai todo poderoso, Criador
dos céus e da terra... Jesus Cristo, seu filho único, nosso Senhor... [e]
o Espírito Santo.” Nas seções que vem logo a seguir, nós resumiremos brevemente
o ato salvador das três pessoas da Trindade.
Depravação Total - O homem em seu estado natural está morto em suas
faltas e pecados.
Esta antiga convicção da igreja cristã, de que o homem, estando morto,
por suas faltas e pecados (Ef. 2:1,5) - não pode salvar a si mesmo. Mesmo
assim, o ser humano tenta freqüentemente fazer algo que o traga para sua
própria salvação! Mas Jesus disse: “Quem permanece em mim, e eu, nele, esse
dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (João 15:5). É por essa
razão que a Bíblia diz que Deus é o único autor da conversão do ser humano.
Qualquer pessoa que ouvir do Evangelho é inclinado por Deus para aceitá-lo.
Ele é livre para aceitar. Mas, e aqui está o grande problema, ele não é
capaz de aceitar, porque ele não tem um desejo santo ou vontade própria
para fazê-lo. “Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as
suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer
o mal?” (Jer. 13:23). A natureza pecaminosa do homem, e somente isso, torna
impossível para o ser humano fazer qualquer coisa que o traga próximo a
sua própria salvação. Como Jesus uma vez disse: “para o homem isso é impossível...”
(Mt. 19:26). É impossível para aqueles que estão mortos no pecado receber
Jesus Cristo como ele gratuitamente ofereceu no seu evangelho. Quão agradecidos
nos deveremos ser, então, Jesus veio dizer, “... porque com Deus todas as
coisas são possíveis.” A Fé Reformada nos ensina que a habilidade humana
sofreu uma mudança drástica como resultado da sua queda no pecado. O homem
era originalmente livre e capaz de fazer a vontade de Deus. Mas “por causa
de sua queda em um estado de pecado”, ele teve “total perda de suas habilidades
de querer fazer qualquer bem espiritual, junto com a salvação: então como,
um homem natural, sendo adverso a tudo que seja bom, e morto no pecado,
não é capaz, pela sua própria força, de converter a si mesmo ou preparar-se
para tal situação?” (CFW, IX: 3). Deus não tirou do homem a habilidade de
fazer o bem. Tanto que enquanto plano de Deus, o homem ainda é livre para
fazer o bem. Mas ele não tem a habilidade para fazer o bem; mas é de fato
“totalmente indisposto, incapaz e feito em oposição a tudo o que é bom,
e totalmente inclinado para o mal” (CFW, VI: 4). É isto o que as escrituras
ensinam, quando elas dizem, “Por isso, o pendor da carne é inimizade contra
Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar”(Rom. 8:7).
A depravação do homem, em outras palavras, é total por natureza.
Eleição Incondicional - Deus o Pai escolheu soberanamente aqueles que
serão salvos.
Todos os cristãos confessam que Deus é soberano. Mas não tem valor algum
dizer que Deus é supremo, a não ser que nós realmente tenhamos a intenção
na inteireza de nossa confissão. Mas ouça: “Deus, por toda a eternidade,
fez, pelo mais sábio e santo conselho de sua própria vontade, livremente,
e de ordem imutável tudo aquilo que vier a ser” (CFW, III: 1). E novamente:
“Deus o grande criador de todas as coisas e mantenedor direto, dispõe, e
governa todas as criaturas, ações, e coisas, das maiores as menores” (CFW,
V:1). Não existe, em todo universo, algo como “sorte” ou “chance”. Este
é o ensinamento que significa que Deus realmente é Deus. Pois como dizem
as Escrituras, “Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada;
e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores
da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?”
(Dan. 4:35). Não é meramente que Deus pode fazer sua vontade e sim que Ele
realmente a faz - sem nenhuma interferência de ninguém ou coisa alguma.
Mesmo em respeito ao homem caído em Adão, e o destino eterno de homens e
anjos, a Confissão Reformada diz que Ele é Senhor de tudo. “Pelo decreto
de Deus, pela manifestação de sua glória, alguns homens e anjos são predestinados
para vida eterna; e outros, ordenados de antemão para morte eterna... Seu
número não é certo e definido, e não pode ser acrescido ou reduzido.” (CFW,
III: 3-4). Mas também, que seja imediatamente observado que esta mesma confissão
enfaticamente nega que Deus seja o autor do pecado ou que a violência é
oferecida pela vontade das criaturas por seu controle divino (III:1). Isto
parece contraditório, claramente, por que parece que se Deus controla todas
as coisas, então tem que ser sua culpa se o homem está condenado. Mas este
não é o caso. As Escrituras não explicam como Deus determina o destino humano
enquanto, assim mesmo, a responsabilidade total pelos pecados repousa em
nossos ombros. Somente sabemos que é assim. A diferença da Fé Reformada
e outros tipos de confissões cristãs não muito consistentes é que a Fé Reformada
não argumenta ou tenta racionalizar contra a supremacia de Deus. Não contra
aquilo que a Bíblia deixa claro. É um antigo objetivo da doutrina da Absoluta
Soberania de Deus, que não pode ser colocado como um meio desqualificado
sem a negação da liberdade humana. Pois como, é a pergunta, pode o homem
ser livre se Deus controla todas as coisas? Muitos quando encaram esse problema,
imediatamente decidem que Deus não pode ser absolutamente soberano no fim
das contas. Mas isso não somente representa equivocadamente a Deus, mas
também faz compreender mal o homem, pelo fato da liberdade do ser humano
ser realmente limitada. Existem muitas coisas que ele não pode fazer por
causa de suas limitações devidas à herança, meio ambiente, educação familiar,
e oportunidades. E todas essas limitações foram impostas por Deus. Ele é
verdadeiramente Senhor de Tudo, e “segundo o propósito daquele que faz todas
as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef. 1:11). E - como já temos
visto - o ser humano é também limitado pela perda de suas habilidades. Então,
não é a soberania de Deus que torna impossível para o ser humano fazer aquilo
que precisa ser feito! Não, foi a própria rebeldia que fez isto. Voltemos
ao mundo antigo, antes do dilúvio, e o que você vê? Vemos o retrato daquilo
que o ser humano escolheu pela sua própria e livre vontade! Mas então vemos
que um homem e sua família forem salvos da ruína total. Mas por que foi
ele salvo? Era Noé melhor que os outros homens? Era ele bom o suficiente
para escolher Deus pela sua habilidade natural e inclinação de seu coração?
Se esse fosse o caso, a Bíblia não teria dito que ele “achou graça” aos
olhos de Deus. Ela então afirma o seguinte, porque Noé não merecia a misericórdia
de Deus mais do que qualquer outro; Deus simplesmente o escolheu. E por
que Deus salvou a Abraão? Seu povo adorava a “outros deuses” (Josué 24:2),
ainda assim Deus o tirou de Ur dos Caldeus. Deus também fez uma distinção
ainda maior entre seus descendentes: Ele escolheu Isaque, não Ismael, como
herdeiro da promessa. Então, para ser ainda mais conclusivo, ele disse para
Isaque e Rebeca antes de seus filhos gêmeos nascerem, “O mais velho servirá
ao mais moço’... ‘Amei a Jacó, mas odiei a Esaú” (Rom. 9:12-13). Ele assim
o fez “para que o propósito de Deus na eleição se mantivesse” (vers. 11),
para esclarecer que não “depende do desejo humano ou esforço, mas na misericórdia
de Deus” (vers. 16), e para mostrar que “Deus mostra sua misericórdia para
aqueles a quem ele quer que recebam sua misericórdia, e endurece aqueles
que ele quer endurecer” (vers. 18). Deus é como um oleiro; de um pedaço
de argila Eles faz “alguns vasos de bênçãos e vasos de maldição” (ver. 21).
Esta é a eleição incondicional. Simplesmente significa que Deus tem a decisão
final sobre os que serão salvos, e Ele não os escolhe pelo fato de terem
algo diferente em si mesmos. E qual é a reação mais comum para essa doutrina
maravilhosa? Bem, é mais ou menos assim: “Se eu sou eleito, serei salvo
independente daquilo que eu venha fazer. E se eu não sou eleito, não fará
nenhuma diferença o que eu faço ou deixo de fazer, por que Deus não irá
me aceitar de qualquer jeito.” A natureza corrupta do homem, sempre quer
“virar a mesa” e culpar a Deus ao invés de si mesmo. Mas os caminhos de
Deus não são os nossos caminhos. Sua eleição soberana não destrói de forma
alguma nossa responsabilidade. Se seu medo é de que você não seja eleito,
sua posição é bem parecida com a dos leprosos mencionados em 2 Reis 7:3-8.
Jerusalém estava sitiada e o povo estava morrendo de fome; do lado de fora
dos muros de Jerusalém estavam os soldados da Síria. Então um dos leprosos
disse, “Por que ficar aqui até morrermos?... Vamos ao acampamento dos Sírios
e nos render. Se eles nos pouparem, viveremos; se eles nos matarem, então
morreremos.” Assim é com pecadores perdidos a oferta do evangelho. Se ficarem
como estão, morrerão; Se eles buscarem ao Senhor em arrependimento e fé,
não é possível que faça a situação piorar. Alem do mais, Jesus disse que
ninguém que faz a sua vontade será rejeitado (João 6:37). A verdade é que
o homem natural odeia a única coisa de que ele mais depende: ser prostrado
de joelhos em reconhecimento de seu desespero e sua falta de poder para
se auto socorrer. Ainda que somente uma atitude nessa escala, poderá ser
verdadeiramente salva.
O Sacrifício Limitado - O Senhor Jesus morreu por todos aqueles a quem
o Pai concedeu graça, e somente por eles.
Nós fomos salvos porque Deus, o Pai nos escolheu para sermos salvos. Mas
nós somos salvos somente pela eleição. Não, nós somos também salvos pelo
sacrifício sofrido por Jesus na cruz. Pois, como a Bíblia diz, seu nome
seria Jesus porque ele iria “salvar seu povo de seus pecados” (Mateus 1:21).
Se Deus o Pai elegeu uns para vida eterna, em outras palavras, então preciso
continuar dizendo que Cristo morreu por uns somente e não por toda humanidade
sem distinção. Isso, também, faz parte dos ensinamentos da Fé Reformada.
O sacrifício é limitado - não em seu valor, mas somente para aqueles a quem
foi aplicado. O sangue de Jesus é precioso; ele tem valor ilimitado. Também
não seria seu valor exaurido se todos os seres humanos fossem de fato salvos
por ele. Mesmo assim, existe uma limitação imposta sobre o sacrifício de
Cristo, por desejo do Pai. Aqueles que são salvos pelo sangue de Jesus Cristo
são somente aqueles de quem a intenção do Pai era de serem salvos. Mesmo
sendo a Bíblia clara, quando diz que nem todos serão salvos, algumas pessoas
ensinam que foi vontade de Deus salvar a todos os homens sem exceção. Esse
ensinamento deve ser rejeitado porque sugere que Deus não é capaz de fazer
aquilo que Ele se propôs a fazer. Outros dizem que não foi intenção total
de Deus salvar a todos. Dizem que Ele teve a intenção de salvar toda humanidade
fazendo uma parte e deixando outra parte como responsabilidade humana. Esse
ensinamento também deve ser rejeitado porque diz que Cristo não é o único
salvador - Ele então precisaria compartilhar sua glória com o homem pecador.
A Fé Reformada, ecoando as Escrituras, ensina que somente algumas pessoas
serão salvas. Também nos ensina que somente Deus salva os pecadores, e então
nos ensina que aqueles que são salvos são aqueles que Deus quis que fossem
salvos. Como Jesus disse ao Pai, falando sobre si: “assim como lhe conferiste
autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a
todos os que lhe deste” (João 17:2). “assim como o Pai me conhece a mim,
e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas.” (João 10:15). Nós
sabemos bem que esta doutrina vai contra a razão natural do ser humano.
Já há muito foi dito, contra esta doutrina, que ela restringe a esperança
da vida eterna para alguns poucos. Alguns também dizem que se esta doutrina
fosse verdadeira, não haveria sentido em pregar o evangelho, uma vez que
a morte de Cristo não teve a intenção de salvar a muitos dos que ouvirem
sobre ela. Mesmo eles tendo a intenção de reduzir a glória de Deus para
aumentar as “chances” do ser humano, como eles vêem. Eles preferem dizer
que Deus teve a intenção de salvar a todos com a morte e ressurreição de
Cristo, para assim dar a todo homem e mulher uma chance, deixando assim
a decisão final para os mesmos! Quão equivocada é essa idéia; ela sacrifica
muito e não ganha nada. Dizer que Deus meramente quer que todo homem seja
salvo, quantos mais poderão ser salvos? A resposta é: nenhum! Porque mesmo
aqueles que trabalham em cima de tal teoria admitem que muitos serão perdidos,
como a Bíblia assim ensina. Esse compromisso somente parece dar ao ser humano
uma melhor “chance”, mas realmente não o faz. De acordo com a visão reformada,
quantos são salvos a menos? A resposta é: nenhum. Pois a própria Bíblia
nos ensina que Deus salvará “uma grande multidão que ninguém poderá contar”
(Ap. 7:9). E quem, por esse fato, terá menor oportunidade de ser salvo?
A resposta novamente é: ninguém. Porque nenhum homem pode saber - até morrer
como um não crente - que ele não é eleito, pela simples razão que Deus não
revelou esta informação para qualquer não crente. Mesmo assim, aqueles que
vieram a Deus através de Jesus Cristo descobriram que Ele morreu particularmente
por eles. Eles podem então dizer como Paulo que o Filho de Deus “me amou
e se entregou por mim” (Gal. 2:20).
Graça Irresistível - O Espírito Santo soberana e efetivamente aplica
a salvação ao eleito.
Se os homens fossem deixados na dependência de sua própria força e habilidade
em qualquer ponto no processo de salvação, nenhum poderia ser salvo. Mas
esse não é o caso. A Fé Reformada ensina a todos que Jesus orou: “Todo aquele
que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei
fora.”(João 6:37), e aqueles que Jesus afirmou: “Ninguém pode vir a mim
se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.”(ver.
44). E é aqui que vemos o ministério salvador do Espírito Santo. O Deus
triúno verdadeiramente salva seus eleitos pela “iluminação de suas mentes
espiritual e salvificamente para entender as coisas de Deus, tirando seus
corações de pedra, e dando a eles um coração vivo; renovando suas vontades,
e, pelo seu grandioso poder, determinando-os para aquilo que é bom, e efetivamente
atraindo-os para Jesus Cristo: Ainda assim, eles vêm livremente, sendo feita
sua vontade pela Sua graça” (CFW, X:1). E que se note cuidadosamente que
“esse chamado efetivo é somente pela livre graça de Deus, não por algo que
foi achado nos homens, os quais são todos agentes passivos, até serem alcançados
e renovados pelo Espírito Santo, ele (o homem) é então capaz e responder
ao chamado de Deus, e abraçar a graça oferecida convenientemente a ele.”
(parte 2). Todos os pecadores que ouvem o evangelho são chamados a se arrepender
e crer. Mas eles não podem fazê-lo, porque eles estão mortos em seus delitos
e pecados. Então Deus, pela operação do Espírito Santo, cria em seus eleitos
o poder de fazer aquilo que ele nos ordena. Da mesma forma como era impossível,
Lazaro estando morto, ouvir a voz de Jesus e ir até ele saindo da sepultura.
Mesmo assim ele ouviu e saiu da sepultura porque aquele que o chamou também
lhe deu poder para ouvir e obedecer, assim é nossa conversão. Não me admira
que Paulo tenha perguntado: “Pois quem é que te faz sobressair? E que tens
tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como
se o não tiveras recebido?” (1Co. 4:7). O divino e soberano ato de regeneração
efetiva pelo Espírito Santo precedem a atividade humana de arrependimento
e fé. Este claro ensinamento abrange tanto a indivisível glória de Deus
e a responsabilidade humana. Alguns têm imaginado que se a regeneração só
é possível pela soberana ação do Espírito Santo, então alguém pode sinceramente
ter o desejo de ser salvo mas pode não ter a “chance” de receber a salvação.
Mas a verdade é que ninguém desejará ser salvo como Deus deseja, sem antes
ser alvo da ação da graça regeneradora: “Nós amamos porque Ele nos amou
primeiro” (1 João 4:19). Outros têm pensado que se Deus converte ao pecador,
não há a necessidade de que o pecador obedeça aos mandamentos do evangelho
tendo assim que se arrepender e crer em Cristo. Mas novamente, a verdade
é de outra maneira. Porque a única forma que nós podemos saber se a graça
de Deus foi realmente dada a nós, é quando temos o desejo de guardar os
mandamentos do Senhor. “Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se
guardamos os seus mandamentos.” (1 João 2:3). Todo aquele que atende ao
chamado da graça de Deus, tem então, unicamente nesse ato, a única evidencia
que a graça lhe foi concedida por Deus. Como o Apóstolo Pedro disse: “Visto
como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem
à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para
a sua própria glória e virtude,” (2 Pedro 1:3). Todos aqueles que recusam
obedecer ao evangelho têm somente a si mesmos para culpar; mas todos os
que vêm à presença de Cristo, têm somente a Deus para agradecer.
Perseverança dos Santos - Aqueles que são verdadeiramente salvos nunca
se perderão.
Como temos visto até agora, os ensinos reformados têm uma visão de Deus
muito mais enaltecida e uma visão sobre o homem, bem mais reduzida do que
é comum entre os seres humanos. Não há dúvidas de que é por isso que a natureza
humana não consegue aceitar a fé reformada, ao mesmo tempo em que o homem
pode vir a concordar com teorias mais fáceis ou formas mais “aceitáveis”
de cristianismo que são ensinadas. Não há dúvida de que é por isso também
que Jesus disse a Pedro, assim que ele entendeu esse ensinamento, “Bem-aventurado
és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas
meu Pai, que está nos céus.” (Mateus 16:17). Nada além da poderosa e soberana
graça de Deus pode fazer com que o ser humano aceite esse fato. Mas nós
não devemos imaginar que o crente reformado é mais pobre por essa causa,
porque o beneficio é muito maior do que o custo. Porque se ao homem pecador
que ele reconheça que não pode fazer nada por si mesmo, isso o põe ao alcance
de uma bênção incomparável: “Aqueles que Deus aceitou como seus amados...
não podem nem totalmente ou finalmente cair de seu estado de graça, mas
certamente irão perseverar íntegros até o fim, e ser eternamente salvos.”
(CFW, XVII:1). Eles não podem “cair da graça” porque Deus traz a obra da
salvação a um estado de perfeição que é exclusivamente Seu. E isso tudo
é verdade, apesar de uma aparência (mas não realidade) de graça em hipócritas
e as tendências ao pecado em verdadeiros crentes. Agora, como todos sabem,
existem aqueles que parecem ter caído da graça. Eles parecem ter interesse
em Cristo, mas então perdem todo e qualquer interesse N’Ele. Como então,
pode-se perguntar, podemos ter certeza de que todos aqueles que são escolhidos
por Cristo perseverarão na fé? A resposta é encontrada na Bíblia: “Eles
saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem
sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para
que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos.” (1 João 2:19). Se
os seres humanos fossem salvos por Deus, para depois se perderem novamente
por causa de seus atos, então Deus seria um fracasso! E isso parece acontecer.
Mas isso não acontece de forma alguma, porque “Estou plenamente certo de
que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo
Jesus.” (Filipenses 1:6). Todos aqueles que realmente pertencem a Ele “...pelo
poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se
no último tempo.” (1 Pedro 1:5). Este ato é de que se deve totalmente ao
poder de Deus, e não à força vinda do crente; mesmo os cristãos verdadeiros
não podem fazer nada por si próprios. Existe, pela criação e sustentação
da graça de Deus, uma fé insaciável, um desejo por Deus no coração de cada
verdadeiro crente, que é encorajado e capacitado para lutar o bom combate
da fé, mantendo-se fiel até o fim. Como poderia Deus ser verdadeiramente
Deus se Ele não aperfeiçoasse a boa obra, a qual Ele mesmo começou em nós?
Pactualmente Ordenado
a. Os Pactos
A palavra pacto pode ser definida como a “concessão voluntária da parte
de Deus”(CFW, VII: 1) pela qual Ele (o criador) capacita o ser humano (suas
criaturas) a obedecer, glorificar, e gozá-lo. A Confissão de Fé de Westminster
reconhece dois pactos:
1. O pacto das obras
“O primeiro pacto feito com o homem foi o pacto das obras, na qual a vida
foi prometida a Adão; e nele para sua prosperidade, na condição de uma obediência
perfeita e pessoal” (VII:2). Adão, constituído por Deus para ser o cabeça
de toda raça humana, quebrou esse pacto. Ele (e com ele) e toda humanidade
pecaram e caíram pela transgressão do mandamento de Deus. Tornou-se então
impossível para qualquer descendente de Adão que fosse gerado após esse
fato, gozar então a vida eterna. Toda e qualquer pessoa, a não ser pela
intervenção de Deus, estaria morta no pecado, condenada, e destinada à punição
eterna.
2. O pacto da Graça
Sim, Deus interveio! “Deus, não meramente pelo seu prazer próprio, por
toda eternidade, elegeu alguns para vida eterna, trazendo-nos assim para
um pacto de Graça, para livrar o ser humano de seu estado de pecado e miséria,
e trazê-los a um estado de salvação através da pessoa do redentor.” (Catecismo
Menor, Pergunta 20). Nossa fé reformada insiste que só há um, e um somente,
caminho para a salvação, através do Redentor, Jesus Cristo. Todos aqueles
que são trazidos para esse estado de salvação, desde Adão até a ultima pessoa
sobre a face da terra, entrarão pelo pacto da graça. A mais simples e básica
divisão da Bíblia não é entre o Antigo e Novo Testamento (Como afirmam os
dispensacionalistas), mas entre Gênesis 1:1 a 3:16 e o resto da Bíblia.
Após a quebra do pacto das obras, Deus nos introduz em um gracioso pacto
de salvação através do Antigo e do Novo Testamento. Há uma única igreja
por todos os tempos. Verdade, essa igreja única existe tanto na era da promessa
(O Velho Testamento) e na era do cumprimento de toda profecia (O Novo Testamento).
“Portanto não existem dois pactos de graça, diferentes em substancia, mas
somente um único, debaixo de várias dispensações.” (CFW, VII:6). Essa igreja
única possui um mediador, O Senhor Jesus Cristo. Quando o Verbo de Deus
se encarnou, Ele se tornou o profeta. Como aquele que veio eliminar o pecado
e ser o servo perfeito de Deus, Ele também é o Sacerdote. Como o juiz e
defensor da igreja de Deus, Ele é o Rei.
b. O Pacto e a Igreja
A Igreja Presbiteriana do Brasil é uma igreja apostólica. Não, nós não
continuamos o oficio dos apóstolos, mas nos esforçamos de todas as formas
para que continuemos nas práticas e doutrinas apostólicas das igrejas do
Novo Testamento (Atos 2:42). Nós cremos que pela graça de Deus nós somos
incluídos no grupo daqueles que Deus acolheu em seu pacto de graça através
do seu filho Jesus Cristo, em quem todos os mistérios e promessas do Antigo
Testamento foram completos.(CFW, VII:5; 2Cor 1:20). Então, vemos a nós mesmos
e nossas crianças batizadas como um só corpo com o povo de Deus em todos
os tempos, laços de um relacionamento especial que Deus estabeleceu há muito
tempo atrás com Abraão (Gal. 3:15 - 27; Gen. 17:7; Atos 2:37 - 39), que
é o pai de todos aqueles que verdadeiramente crêem. E, com a comunidade
escolhida no pacto, de todas as gerações, nossa fé reformada enfatiza a
importância dos membros e presença junto à comunidade nas vidas dos filhos
de Deus (CFW, XXX:2). Nós não chamamos a Igreja Presbiteriana do Brasil
uma verdadeira igreja de Cristo porque cremos que somos os únicos cristãos
em nosso país. Ao invés de fazer isso, nós nos chamamos assim porque magnificamos
a graça de Deus, que tem nos constituído como denominação de maneira (mesmo
sendo nós imperfeitos) que tudo possa ser feito de acordo com a Santa Palavra
de Cristo, aquele que é o único Cabeça e Rei da Igreja. Jesus nos ensina
que seu rebanho ouve sua voz e o segue, e esse rebanho simplesmente não
ouvirá a voz de qualquer estranho. Com louvor a Deus, então, nos regozijamos
pois, pela misericórdia de Deus, nós também somos membros do seu rebanho
e podemos ouvir a voz do Bom Pastor.
Batismo Infantil
“Batismo é um sacramento, de maneira a purificar com água no nome do Pai,
do Filho e do Espírito Santo, o que significa e sela nossa aliança com Cristo,
e partilhando os benefícios do pacto da graça, e nossa declaração que verdadeiramente
somos de Deus” (CM, P. 94). Batismo é o sinal do pacto da graça durante
a era do Novo Testamento, como foi a circuncisão durante o Antigo Testamento
(ver Col. 2:11-12). Os Cristãos Reformados entendem que o batismo deve ser
aplicado, então, a todos aqueles com quem Deus estabeleceu seu pacto de
graça, mais claramente, com os crentes em Cristo e também com seus filhos.
È importante enfatizar que não há um texto bíblico explícito que determine
o batismo infantil. Se houvesse, todas as igrejas que crêem na Bíblia iriam
então praticá-lo. Contudo, a vontade de Deus não é somente “expressamente
descrita nas Escrituras”, mas também “por uma conseqüência boa e necessária,
pode ser deduzida das Escrituras” (CFW, I:6). O argumento de defesa para
o batismo infantil pode ser apresentado na forma de silogismo:
Premissa Maior
Todos participantes no pacto da graça devem receber o sinal de tal pacto.
Premissa Menor
As crianças, filhos dos crentes são também participantes do pacto da
graça.
Conclusão
As crianças, filhos dos crentes devem também receber o sinal do pacto
da graça. Se as duas premissas são verdadeiras, a conclusão é incontestável.
E é isso o que a confissão descreve como “conseqüência boa e necessária”
A única forma de evitarmos o batismo infantil dos filhos dos crentes é se
negarmos uma dessas verdades. Poucos negariam a premissa maior, mas dispensacionalistas
claramente negam a premissa menor. Eles afirmam que as crianças filhos de
crentes nunca foram participantes do pacto da graça. Uma vez que, durante
a era do Antigo Testamento, eles participavam da nação de Israel e recebiam
o sinal de sua participação no pacto - a circuncisão. Mas, dizem eles (dispensacionalistas),
que crianças não participam do pacto da graça, porque esse pacto existe
somente a partir do Novo Testamento. Uma vez que não existe um texto que
ordena o batismo infantil, então não se deve fazer. Entretanto, o pacto
da graça existe durante as duas eras (AT e NT), e os filhos dos crentes
eram obviamente participantes do pacto durante o Antigo Testamento. Deus
determinou isso (ver Gen. 17:10). Agora, uma vez que Deus não alterou seu
pacto (Salmo. 89:34), nós não nos surpreendemos que não haja um texto no
Novo Testamento indicando que os filhos dos crentes que eram participantes
do pacto, agora já não são mais. Ao contrário, Colossenses 2:11 e 12 traçam
um paralelo especifico, entre batismo e circuncisão; aqueles que eram então
circuncidados, que sejam agora batizados. E Atos 8:12 mostra que o novo
sinal da aliança foi dada as mulheres assim como aos homens. O Batismo é
um sacramento totalmente passivo, partindo de nosso ponto de vista. Isso
não significa que em todos os aspectos da aplicação da salvação prometida
no pacto da graça, o individuo batizado seja totalmente passivo. Eles (ou
elas) são verdadeiramente ativos em seu processo de conversão e santificação.
Ao invés disso, o que realmente significa é que o individuo batizado e não
se auto-batiza. Os Pais não batizam seus filhos. Falando diretamente, nem
mesmo o ministro (pastor, igreja...) os batiza, no sentido de efetuar algo.
Nós não fazemos nada no batismo; ao invés disso, Deus faz algo. Ele, através
do cumprimento de um mandamento pela igreja, dá uma identidade a crianças,
jovens e velhos, de sua família do pacto, os alvos de sua graça e de todas
suas maravilhosas bênçãos.
d. Todas as Vidas Redimidas
O povo reformado não limita seus locais ou ambientes de culto e louvor,
somente à igreja. Isso ocorre pelo fato de nossa fé reformada nos ensinar
que Jesus Cristo é rei de todo o mundo e sobre todas as áreas de nossas
vidas (CFW, XIX:5; XXIII:1-4). Os crentes reformados então sujeitam ativamente
a ordem integral da criação ao senhorio de Cristo. O humanismo secular se
tornou o maior inimigo da igreja nos nossos dias. Esse inimigo capturou
os corredores de poder e influência no mundo de hoje, onde um dia já houve
uma influência cristã sadia. Para combater a secularização do mundo, os
crentes reformados devem ser ativos nos campos da política, educação, economia,
lei, ciência, trabalho, etc. Prontos para abraçar a causa de Cristo, qualquer
que seja a sua perspectiva de vida. Desde membros do Congresso Nacional
que se opõem ao aborto, até ajudas em momentos de tribulações entre os necessitados,
como também dando auxilio a famílias despedaçadas e crianças, vítimas de
abusos (físicos e psicológicos), o povo reformado crê que sua fé é relevante
para a transformação de vidas conformadas e frias, para os padrões divinos
de justiça e moralidade. Sim, deve existir liberdade e justiça para todos,
de acordo com os padrões de Deus e não de homens!
